(ANSA) - O governo brasileiro e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) dizem estar preparados para um eventual aumento no fluxo de venezuelanos nos próximos meses devido ao conturbado processo eleitoral no país vizinho, porém ainda não viram mudanças significativas no cenário.
A Venezuela vai às urnas escolher um novo presidente em 28 de julho, porém a principal plataforma de oposição denuncia irregularidades no processo eleitoral por parte do regime de Nicolás Maduro, que impediu a candidatura de María Corina Machado.
"O governo brasileiro está atento a todos os tipos de fenômenos que possam interferir em um aumento ou oscilação dos fluxos migratórios para o Brasil", disse à ANSA Regis Aparecido Andrade Spindola, diretor do Departamento de Proteção Social Especial do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, à margem de um seminário promovido pelo Acnur em São Paulo, na presença da subsecretária das Relações Exteriores da Itália, Maria Tripodi.
"O governo já está desenvolvendo estratégias, junto com as agências internacionais e demais entidades implementadoras, para incorporar eventual oscilação de fluxo aos acolhimentos que temos hoje em Pacaraima e Boa Vista [em Roraima]", acrescentou Spindola.
O fluxo de venezuelanos no Brasil tem se mantido estável entre 350 e 400 pessoas por dia neste ano, apesar das tensões no processo eleitoral em Caracas. "A gente tem planos de contingência com o governo federal, isso é algo normal, então a operação está preparada para eventuais fluxos que possam chegar", disse à ANSA o chefe do Acnur no Brasil, o italiano Davide Torzilli.
Atualmente, existem mais de 7,7 milhões de refugiados e migrantes forçados venezuelanos no mundo, sendo cerca de 5 milhões na América Latina e no Caribe, segundo o alto comissariado. O Brasil é o terceiro principal país de destino, com mais de 590 mil pessoas.
"O perfil das novas chegadas é muito mais vulnerável, então enfrentamos uma situação que exige uma resposta humanitária e um grande esforço de integração", alertou Torzilli, citando os indígenas como um dos grupos que requerem mais atenção. (ANSA)
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