O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) que cobrará tarifas de 20% e 10%, respectivamente, sobre os produtos importados da União Europeia e do Brasil.
Em uma data definida pelo republicano como "Dia da Libertação", o mandatário segurou um quadro e ilustrou as tarifas que serão impostas país por país. A lista é encabeçada pela China, que terá seus produtos taxados em 34%, valor inferior apenas ao do Vietnã (46%) e do Sri Lanka (44%).
Ainda de acordo com a tabela mostrada pelo líder americano durante seu discurso na Casa Branca, a UE estava listada logo atrás do gigante asiático, com tarifas de 20% sobre seus produtos. Em relação ao Brasil, o magnata prometeu cobrar 10%.
"A partir de amanhã (3), vamos implementar tarifas recíprocas aos outros países. Calcularemos a taxa combinada de todas as suas taxas e outras formas de trapaça e vamos cobrar aproximadamente metade do que eles cobram. A UE nos rouba há anos, são patéticos", declarou Trump.
O republicano identificou cerca de 60 países que terão tarifas adicionais além dos 10%, que são iguais para todos.
Essas nações, segundo a Casa Branca, têm as relações comerciais mais desiguais com os EUA.
Além disso, o presidente disse que vai impor tarifas de 25% sobre "todos os carros produzidos fora" do país. A medida entrará em vigor a partir da próxima quinta (3).
"É um dos dias mais importantes na história dos Estados Unidos, é a nossa declaração de independência econômica. As tarifas nos darão crescimento", declarou.
Respostas - O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, destacou a necessidade de evitar uma guerra comercial com Washington e revelou que os anúncios de Trump já vêm sendo avaliados pelo bloco europeu.
"É necessária uma resposta baseada em uma abordagem pragmática e no diálogo. Precisamos de negociações construtivas, que levem em conta as preocupações americanas, mas também protejam os interesses europeus", afirmou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, falará somente amanhã (3) sobre o tarifaço imposto por Trump, de acordo com o poder Executivo da UE.
O chefe da delegação do Parlamento Europeu para as relações com os EUA, Brando Benifei, destacou a necessidade de "manter a cabeça limpa para explorar todos os caminhos possíveis para empurrar Washington para a mesa de negociações".
"Precisamos de contramedidas mais amplas que atinjam os pontos mais sensíveis, não apenas em bens, mas também em serviços, começando com grandes empresas de tecnologia e o setor financeiro", afirmou o representante.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse que fará de tudo para conseguir fechar um acordo com os Estados Unidos sobre as tarifas recíprocas anunciadas.
"Faremos tudo o que pudermos para trabalhar em direção a um acordo com os EUA, com o objetivo de evitar uma guerra comercial que inevitavelmente enfraqueceria o Ocidente. Agiremos no interesse da Itália e de sua economia, mas também nos envolvendo com outros parceiros europeus", declarou.
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