Pesquisa de boca de urna aponta uma vitória do partido conservador União Democrata Cristã (CDU), liderado por Friedrich Merz, nas eleições legislativas alemãs, enquanto a legenda de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) aparece em um inédito e esperado segundo lugar.
O levantamento realizado para a emissora pública ARD põe a CDU com 29% dos votos, abaixo do necessário para garantir maioria no Parlamento, e a AfD com 19,5%. "Bem-vindos a esta histórica noite de 23 de fevereiro de 2025. Nós vencemos essas eleições", declarou Merz em um discurso na capital Berlim.
Já o Partido Social-Democrata (SPD), do impopular chanceler Olaf Scholz, está em terceiro, com 16%, seguido pelos Verdes, com 13,5%, e pela legenda A Esquerda, com 8,5%.
O Partido Democrático Liberal (FDP), que provocou as eleições antecipadas ao romper com o governo Scholz, surge com 4,9% e arrisca não superar a cláusula de barreira de 5%, assim como a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), que se define como "conservadora de esquerda", com 4,7%.
Se os resultados se confirmarem, a CDU precisará formar uma coalizão para governar a Alemanha, provavelmente com o SPD e talvez com mais algum outro partido, a depender da distribuição de assentos no Parlamento. "Quero dizer uma coisa aos nossos competidores: enfrentamos uma dura campanha eleitoral, mas agora precisamos conversar entre nós para formar um governo capaz de agir", salientou Merz.
"O mundo lá fora não vai nos esperar, precisamos agir rapidamente. O mundo precisa perceber que a Alemanha é governada de modo confiável", disse. Já o secretário-geral da CDU, Carsten Linnemann, afirmou que a coalizão "semáforo" (sociais-democratas, verdes e liberais) foi "liquidada". "Os eleitores querem que o chanceler seja Friedrich Merz", acrescentou.
Apesar de serem rivais, CDU e SPD já governaram juntos durante a gestão da chanceler Angela Merkel, maior expoente da legenda conservadora.
Todos os partidos tradicionais prometeram durante a campanha que não negociaram com a AfD, partido que dobrou sua votação com um discurso anti-imigração, a favor da assim chamada "família tradicional", em defesa da neutralidade na guerra entre Rússia e Ucrânia e contra o euro.
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"Trata-se de um resultado histórico, nós dobramos nossos votos", celebrou a líder da AfD, Alice Weidel, uma mulher lésbica de 46 anos e mãe de dois filhos com a produtora de cinema Sarah Bossard, nascida no Sri Lanka, mas de cidadania suíça.
"Estaremos sempre prontos a participar de um governo que queira realizar a vontade do povo", acrescentou - é a primeira vez desde a era nazista que a extrema direita alcança um desempenho tão expressivo na Alemanha.
Por sua vez, Scholz, líder do SPD, admitiu a "noite amarga" para a legenda de centro-esquerda. "Isso precisa ser dito de forma clara", destacou ele, que enviou "felicitações" a Merz pela vitória.
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