O governo de Donald Trump pretende "se livrar" de Volodymyr Zelensky como presidente da Ucrânia e já estaria trabalhando para atingir esse objetivo e eleger um general no lugar, informou nesta quinta-feira (20) a revista britânica "The Economist".
Segundo a publicação, Valery Zaluzhny, um antigo comandante popular das forças ucranianas que foi demitido por Zelensky e enviado a Londres como embaixador, é tido como um possível sucessor.
A reportagem cita uma pesquisa na qual o atual presidente ucraniano aparece com 52% de aprovação, seu menor índice histórico, depois de ter atingido 90%. Desta forma, Zelensky "seria esmagado" por Zaluzhny com 65% dos votos contra 30% em um hipotético desafio eleitoral.
Zaluzhny, 49 anos, foi considerado pela imprensa e especialistas ucranianos e internacionais como um "herói" e como "o salvador da Ucrânia", principalmente por ter sido o arquiteto da estratégia que se acredita ter contribuído para o fracasso do avanço das tropas de Moscou em direção a Kiev logo após o início da invasão russa em fevereiro de 2022.
Na ocasião, a feroz resistência das força ucranianas sob comando de Zaluzhny obrigou Moscou a mudar o foco dos ataques para o leste e sul do país.
Nomeado chefe do Estado-Maior da Defesa pelo próprio Zelensky, em julho de 2021, com apenas 45 anos, ele foi removido - apesar da suposta opinião contrária dos EUA e outros aliados - há cerca de um ano, para ser substituído pelo general Oleksandr Syrskyi.
A mudança foi justificada pelo desejo de dar vida a uma "reforma" estrutural nas forças armadas de Kiev diante de novos desafios, cuja qual resultou na marginalização do antigo comandante no cargo de embaixador no Reino Unido.
De acordo com a revista britânica, vários analistas associaram isso a temores relacionados à popularidade pessoal de Zalunzhny e também à sua atitude mais cautelosa do que a da comitiva presidencial sobre os planos de guerra com a Rússia após o fracasso da chamada contraofensiva ucraniana de 2023.
O comandante, que chegou a ser listado pela revista Time entre as 100 pessoas mais influentes do mundo, seria um dos nomes defendidos pelo governo de Trump, principalmente em meio às trocas de farpas entre Zelensky e o republicano.
Ontem, o presidente ucraniano declarou que Trump vive em um "espaço de desinformação" e está ajudando o presidente russo, Vladimir Putin, a "sair do isolamento" imposto pela comunidade internacional nos últimos anos.
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