Países europeus se mostraram divididos sobre a possibilidade de enviar tropas de paz à Ucrânia após um eventual cessar-fogo com a Rússia.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, foi o mais enfático ao declarar que seu país está pronto para mandar militares a Kiev com o objetivo de garantir a proteção da Ucrânia, que teve as portas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fechadas pelos Estados Unidos.
"Isso significa que estamos prontos e dispostos a contribuir com as garantias de segurança na Ucrânia, enviando nossas forças a campo se necessário", disse Starmer, cuja declaração não foi bem vista por especialistas militares e de inteligência.
"Francamente, no momento não temos números [de soldados] nem equipamentos suficientes para enviar uma grande força por um longo período", criticou o general da reserva Richard Dannatt à BBC, fala apoiada por outros integrantes da inteligência britânica.
Já a Suécia não descartou a possibilidade, porém tratou o assunto de forma mais cautelosa. Segundo a ministra das Relações Exteriores, Maria Malmer Stenergard, Estocolmo "não exclui o envio de tropas à Ucrânia", mas antes Kiev precisa "negociar uma paz justa e sustentável que respeite o direito internacional".
A Alemanha, por sua vez, declarou nesta segunda (17) que essa discussão ainda é "prematura". De acordo com o chanceler alemão, Olaf Scholz, enquanto houver confrontos entre Rússia e Ucrânia, é impossível falar de militares europeus na região.
"Para mim, é importante que exista um forte exército ucraniano, mesmo em tempos de paz. Este será um grande compromisso para a Europa, para os Estados Unidos e outros parceiros da comunidade internacional", disse Scholz. Também nesta segunda, Espanha e Polônia afirmaram que não têm intenção de enviar soldados a Kiev.
"Precisamos ser claros quando tocamos em temas tão sensíveis e graves como este: ninguém está considerando, neste momento, enviar tropas para a Ucrânia para uma possível missão de paz", disse o ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, durante entrevista à rádio Onda Cero.
"A Polônia apoiará a Ucrânia como fez até agora: a nível organizativo, com base em nossas capacidades financeiras, humanitárias e militares. Não temos programado o envio de soldados poloneses", explicou o premiê Donald Tusk.
Hoje a França recebe líderes de diversos países europeus, como Alemanha, Reino Unido, Itália, Polônia, Espanha, Holanda e Dinamarca, para uma reunião informal e emergencial sobre a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de iniciar tratativas com a Rússia à revelia de Kiev e da Europa.
O encontro contará ainda com as presenças dos presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além do secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
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