O líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, pediu nesta quinta-feira (27) a dissolução do grupo e o fim da luta armada na Turquia.
Fundado em 1978, o PKK luta pela autonomia do Curdistão e é considerado uma organização terrorista pelo governo turco, pelos Estados Unidos e pela União Europeia.
"Todos os grupos devem abandonar as armas, o PKK tem de se dissolver. Eu peço que abandonem as armas e assumo a responsabilidade por este apelo", declarou Ocalan, que está preso na solitária desde 1999, em uma mensagem lida durante uma coletiva de imprensa em Istambul por políticos do Partido Popular da Igualdade e da Democracia (DEM).
A delegação do DEM, legenda pró-curdos e de oposição ao regime do presidente Recep Tayyip Erdogan, se reuniu com o líder do PKK na penitenciária da ilha de Imrali, ao sul de Istambul, e a notícia chega após meses de rumores de que o movimento curdo poderia abandonar a luta armada.
Ocalan é cofundador do PKK e foi preso pela inteligência turca em Nairóbi, no Quênia, em fevereiro de 1999. Sentenciado à morte, o curdo teve a pena comutada para prisão perpétua em 2002, quando a Turquia passou a discutir a abolição de execuções no sistema judiciário.
"Não existe alternativa à democracia na busca e realização de um sistema político. O consenso democrático é o caminho fundamental", acrescentou Ocalan na mensagem, intitulada "Um apelo pela paz e por uma sociedade democrática".
Ele também citou o líder da direita nacionalista, Devlet Bahceli, que, em outubro passado, deu novo impulso ao processo de paz ao pedir a dissolução do PKK em troca de concessões no regime de isolamento imposto a Ocalan.
Estima-se que o conflito no Curdistão e os atentados cometidos pelo PKK já tenham deixado mais de 40 mil mortos em cerca de quatro décadas.
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